Lia Wyler

Ao contrário do que muitos pensam, numa história, não é apenas o protagonista que participa do seu desenrolar. O “coadjuvante”, por assim dizer, mesmo que menos admirado, é essencial. É uma parte do todo... e como sabemos, o todo sem uma parte, não é mais todo. Assim, J.K. Rowling é genial, mas Lia Wyler, contribuinte, também é! O que seria de nós leitores sem a nossa querida tradutora, que tem a difícil tarefa de conservar nas páginas da versão brasileira de Harry Potter toda a magia criada por Rowling.
Perfil
Nome: Lya Wyler
Nascimento: 6 de Outubro de 1934
Cidade natal: Ourinhos, São Paulo
Signo: Libra
Biografia
Lia Wyler nasceu em Ourinhos, no interior de São Paulo e já viveu em Manaus, Porto Alegre e em Portugal. Ela é tradutora profissional desde 1969 e tornou-se um tradutora muito famosa e uma das mais respeitadas no Brasil. Lia não é como a maioria dos tradutores, que ficam na sombra do autor e poucas vezes são reconhecidos, graças a série Harry Potter, milhões de crianças, jovens e adultos sabem quem ela é e respeitam seu trabalho. Os leitores discutem, criticam suas traduções e ela é como um ponto de apoio para jovens que começam a notar a importância de um bom tradutor. Nas séries de Harry Potter, ela trouxe a história do menino bruxo com transparência e com um bom entender. Uma face de seu trabalho, no entanto, ainda é conhecida apenas entre tradutores, lingüistas e estudantes do ramo: os extensos estudos que ela faz sobre história e teoria da tradução. Lia Wyler, como tradutora de livros infantis e juvenis, recebeu o prêmio de "altamente recomendável" da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil pelos três primeiros livros da série Harry Potter. Parabéns Lia! Ela está lançando o livro Línguas, poetas e bacharéis, tem no currículo as versões em português para livros de autores como Henry Miller, Sylvia Plath, Gore Vidal, Tom Wolfe, Stephen King, Joyce Carol Oates, entre outros. Na saga de Harry Potter, demonstrou jogo de cintura ao encontrar soluções para problemas complexos, como, por exemplo, o nome dos animais de estimação de Harry e seus amigos. No original, o gato de Hermione chama-se Crookshanks, que significa, literalmente, "pernas arqueadas". Em português, passou a chamar-se Bichento graças à pesquisa de Lia: "Parece um nome inventado, mas não é. No Ceará, bichento é justamente o indivíduo que tem pernas tortas, arqueadas. Achei que o nome seria a solução ideal, porque ainda por cima tem sonoridade parecida com bichano, termo usado para designar os gatos no Brasil." Coube a Lia Wyler a tarefa de verter para o português as mais de 700 páginas de Harry Potter e a Ordem da Fênix. Tradutora experiente, ela já tinha sido responsável pelas edições brasileiras das quatro primeiras aventuras do bruxinho, mas diz que o quinto volume foi seu grande trabalho. "O maior desafio foi traduzir tantas páginas num prazo tão curto, já que era preciso corresponder às expectativas dos leitores brasileiros", conta ela, que é fã da professora Minerva McGonagall e acompanhou as transformações que acontecem no personagem: "Harry Potter se tornou adolescente, tem uma vida interior mais complexa. As expectativas dos outros em relação a ele também aumentaram. A cada enfrentamento com Voldemort, ele adquire novos vínculos indesejáveis com o vilão, pois há uma troca de poderes entre os dois, causando problemas para Harry e gerando novas responsabilidades."
Lia Wyler x Fans
Embora JK Rowling já tenha elogiado o trabalho da tradutora da versão brasileira, muitos fãs têm uma opinião bem diferente! Se as traduções anteriores ao Enigma do Príncipe já não satisfaziam o público brasileiro exigente, com o sexto livro, a opinião deste não melhorou muito. A questão é que a versão brasileira tem uma série de erros gramaticais e de digitação. Embora não sejam capazes de prejudicar a leitura, a falta de qualidade incomoda, ainda mais devido ao preço do livro. Os leitores mais assíduos alegam que a versão brasileira não faz jus à original, britânica. A explicação para um trabalho um pouco falho pode, talvez, não ser culpa direta da tradutora, mas sim da própria editora Rocco. Além disso, Lia Wyler teve menos que cinco meses para traduzi-lo, então, vamos dar um desconto. De qualquer forma, queremos mais atenção com os nossos livros! “Jerry” Potter e seus fãs agradecem =D
Entrevista
Aqui você confere uma ótima entrevista com Lia Wyler. Observe a visão da tradutora sobre a série e a sua contribuição única para os livros no que diz respeito a termos inexistentes na língua portuguesa.
Quais foram os desafios apresentados pela tradução de Harry Potter e a Ordem da Fênix?
Lia Wyler: O maior desafio foi traduzir um número tão grande de páginas - 766 na edição inglesa - num prazo tão curto, pois é preciso correr para corresponder às expectativas dos leitores brasileiros, já cansados de ler e reler os volumes anteriores.
Quais foram as etapas desse processo?
Lia Wyler: Normalmente uma tradução feita por um profissional autônomo que trabalha em escritório próprio ou em sua casa requer no mínimo duas revisões, a primeira ao fim do capítulo e a segunda ao fim da obra traduzida. Neste ponto, o trabalho encomendado é entregue à editora com uma cópia em disquete e uma cópia em papel. Na editora, essa cópia é enviada a um copidesque que deve verificar o conteúdo e faz as alterações que considera necessárias.
Na tradução deste quinto volume de Harry Potter esta rotina foi profundamente alterada em suas etapas iniciais. Eu fazia a tradução e a primeira revisão, o texto passava a um copidesque funcionário da editora e voltava às minhas mãos para a segunda revisão a fim de verificar se alguma coisa importante fora alterada e seguia para a composição. Neste ponto terminava a minha participação no processo. A impossibilidade de trabalhar em curto prazo em casa por causa do ruído excessivo de britadeiras e compressores nas obras em dois terrenos vizinhos levou Paulo Rocco a me oferecer uma salinha reservada na editora com um computador mais avançado do que o meu para comportar a instalação do VIA VOICE (reconhecedor de voz), dicionários de português (Houaiss) e inglês (Oxford Advanced) para uso instantâneo, e uma supercadeira adequada às longas horas de trabalho que seriam necessárias. Essas medidas contribuíram, e muito, para acelerar o meu ritmo de trabalho. O computador não foi ligado à rede para evitar invasões de hackers e vírus que poderiam destruir arquivos e causar a paralisação do equipamento para manutenção. Concentrei-me exclusivamente no projeto Harry Potter.
Qual era o ritmo de tradução? Quantas páginas do livro eram traduzidas por dia?
Lia Wyler: Comecei traduzindo oito páginas por dia, revisando dois capítulos por semana e trabalhei nos dois primeiros meses apenas de segunda a sexta-feira. Terminei traduzindo dez páginas por dia, trabalhando sábados e até domingos, revisando entre dois e quatro capítulos por semana. As muitas alterações no original enviadas pela editora inglesa ao longo da tradução acrescentaram horas e até dias ao processo global.
Houve algum trecho do livro especialmente mais difícil?
Lia Wyler: Se senti alguma dificuldade, foi tão momentânea que não tomei consciência dela. Depois de traduzir um escritor mais de três vezes, em geral o tradutor começa a incorporar a sua maneira de estruturar as frases e o seu vocabulário, chega até, em momentos de maior concentração, a antecipar o que vem a seguir. No quinto livro, o número de palavras que foi preciso pesquisar e reinventar se tornou consideravelmente menor.
Algumas pessoas acham que um livro infanto-juvenil com mais de 700 páginas é inadequado para o mercado editorial brasileiro. Qual é sua opinião a respeito?
Lia Wyler: A saga de Harry Potter mexeu com pessoas de todas as idades. Não foram apenas as crianças que embarcaram nessa fantasia tipicamente britânica, pois só os ingleses conseguem criar uma fantasia assim tão desabrida. As crianças brasileiras adoraram porque há muito tempo não viam nada igual e a expectativa pela nova aventura é enorme.
É interessante notar que a cada livro há um aumento no número de páginas e um crescimento do nível de complexidade da narrativa. Creio que isso se deve ao fato de J.K. Rowling ser professora, pois o sistema educacional inglês é baseado nos graded readers, com os livros escolares se encorpando e se tornando mais complexos de forma semelhante. Seja como for, tenho certeza de que os fãs de Harry Potter vão devorar essas 706 páginas com o mesmo prazer com que devoraram as aventuras anteriores.
Como você situaria esse livro em relação às quatro aventuras anteriores do Harry Potter?
Lia Wyler: Harry Potter se tornou adolescente, tem uma vida interior mais complexa. Além disto, as expectativas dos outros em relação a ele também aumentaram. E, a cada novo enfrentamento com Voldemort, ele adquire novos vínculos indesejáveis com o seu poderoso adversário, pois há uma troca de poderes entre os dois, causando diversos problemas e gerando novas responsabilidades para Harry. Ocorre ainda sua primeira experiência amorosa e o despertar de novas emoções que têm menos a ver com o heroísmo e mais com a solidariedade humana.
Na sua opinião, por que a série de J.K. Rowling faz tanto sucesso? Quais são as maiores qualidades de seu texto e sua trama?
Lia Wyler: A linguagem fluente, o ritmo rápido em que a narração e os diálogos - são pouquíssimas as descrições como convém a um bom folhetim - se sucedem, construindo uma trama rica de detalhes e suspense que nos entretêm e levam à grande luta final entre os poderes da luz e das trevas.
A história se passa em nosso tempo, mas em um espaço alheio ao nosso regido por regras antiquadas, permeada de arquétipos mitológicos e folclóricos com que qualquer pessoa pode facilmente se identificar, até os adultos que se aventuram nessa divertida volta à infância.
Dentre os personagens da saga, qual é o seu preferido?
Lia Wyler: É difícil dizer. Entre os adultos, gosto muito de Minerva McGonagall, pois ela aparenta frieza, mas chega a ponto de dispensar os alunos de fazerem os deveres de casa porque quer continuar a ver a taça de quadribol na sala dela. Entre as crianças não tenho favorito, pois todos têm qualidades e defeitos muito "gostáveis", mas as travessuras dos gêmeos Weasley contam com o meu aplauso porque fui uma criança muito travessa.
Quando os direitos do primeiro volume da saga de Harry Potter foram comprados, como se deu sua escolha como tradutora oficial?
Lia Wyler: O primeiro Harry Potter foi comprado pela Rocco pouco tempo depois de eu ter recebido uma Menção Altamente Recomendável pela tradução de um livro infantil escrito pela poeta inglesa Sylvia Plath, e naturalmente a editora pensou em mim. O livro me impressionou pelas qualidades narrativas que já salientei e pela enorme quantidade de nomes próprios extravagantes escolhidos pela autora e que são responsáveis por uma boa dose de humor. Ao aceitar o trabalho, entrei em contato com a autora, através do seu representante. Fiz-lhe algumas perguntas sobre a construção dos nomes e seus elementos constitutivos, informando que pretendia traduzi-los conforme a praxe que tem sido adotada pelos melhores tradutores brasileiros para crianças e jovens. Por sua vez, ela me mandou uma lista de nomes me perguntando que tradução pretendia lhes dar e quais eram as minhas qualificações. Em seguida, ela me deu carta branca e tem pedido ao editor brasileiro que continue a usar o mesmo tradutor.
Você está enfrentando sozinha uma árdua tarefa, que em alguns países foi dividida por toda uma equipe de tradutores. Você não acha que, ao contrário dos livros técnicos ou científicos, uma obra literária deve ser traduzida por uma única pessoa?
Lia Wyler: Decididamente. Tanto que quando se aventou a possibilidade de ter alguém para me ajudar, eu tracei o perfil desta auxiliar ou destas auxiliares: uma tradutora de família nordestina, que nasceu no interior de São Paulo, cresceu no Rio de Janeiro, morou em Manaus, Porto Alegre e Lisboa... ou seja, teria de ser outra eu. Isso porque a vivência de cada pessoa é que enseja a aquisição de um vocabulário próprio. A língua é coletiva, mas o vocabulário é extremamente individual, assim, cada família, cada pessoa combina essa linguagem social de forma muito particular. Tanto que as famílias têm suas expressões prediletas, as piadas que só os seus membros entendem...
Cada tradutor teria, portanto, soluções diferentes para um mesmo texto.
Lia Wyler: Sem dúvida. Eu procuro usar palavras do Brasil inteiro, que embora desconhecidas em uma ou outra região do país conotam exatamente o sentido da palavra que devem traduzir. Um exemplo: o gato de Hermione se chama Bichento, uma palavra que parece ter sido inventada, mas que existe no dicionário. No Ceará, bichento é o indivíduo de pernas tortas, arqueadas. Ora, no original o nome do gato é Crookshanks, que significa, literalmente, "pernas arqueadas". Outra razão para ter escolhido bichento é a sua sonoridade ser semelhante à de bichano, termo usado para designar gatos aqui no Brasil. Portanto, para mim, batizar o gato de Hermione de Bichento me pareceu a solução ideal, mas outro tradutor poderia ter chegado a uma solução bem diferente e igualmente válida.
Qual a fonte mais inusitada (dicionário, pessoa, experiência) que você usou no trabalho de verter para o português os livros de J. K. Rowling?
Lia Wyler: No início da série, depois de resolver com a autora a questão dos nomes próprios, me concentrei em resolver o problema dos registros nos livros que são múltiplos: o do narrador, o dos personagens principais entre si, em conversas informais e formais com adultos, o mesmo com relação aos adultos, os textos jornalísticos, os avisos escolares, os discursos escolares, aqueles hinos delirantes do início das aulas, a publicidade, os títulos das obras, os trechos de livros pertencentes a diferentes épocas. De todos, o mais variado era sem dúvida o das crianças entre si, que não comportava o uso desbragado de gíria - Harry Potter praticamente não usa gírias - mas tampouco poderia pecar pelo excesso de formalidade.
Duas circunstâncias contribuíram para resolver a minhas preocupações: o hábito de prestar atenção ao que as pessoas dizem (adultos e crianças) e como dizem na medida em que a escolha das palavras e do tom em que são ditas expressam muito mais o que se sente do que a frase completa. A segunda circunstância foi o convívio mais freqüente com uma neta que tem a idade do Harry Potter e que até hoje tira as minhas dúvidas sobre as expressões mais adequadas a alguma situação que me suscita dúvida.
Fiz algumas escutas mais atentas em ambientes de grande concentração de crianças como saída de escola, nos ônibus e metrôs, em reuniões familiares e sociais. Esses achados depois foram confirmados no terceiro volume da série por alunos meus de tradução a quem pedi igual pesquisa, para nota, é claro.
O fato de os livros de Harry Potter não terem ilustrações aumenta a sua responsabilidade, já que o leitor tem apenas a descrição de personagens e lugares para entender o mundo onde vive o bruxinho?
Lia Wyler: Sensivelmente. Como vimos naquele belíssimo filme do Walter Salles, Abril despedaçado, é possível sonhar histórias a partir de ilustrações, mas o inverso só é possível se as palavras forem capazes de suscitar as imagens que nos fazem sonhar. Por isso, as descrições têm de dar a idéia do cenário, as narrações tem que levar o leitor a se sentir agente da ação, os diálogos têm de tornar verossímil a emoção. Isso é o que está na minha cabeça quando traduzo, mas nem sempre a minha tradução é mantida como a escrevi.
Por que traduzir alguns nomes e outros, não? Por exemplo, você manteve Voldemort (que quer dizer, em francês, "vôo da morte") mas traduziu James Potter para Tiago Potter.
Lia Wyler: Se eu pudesse contar com maior tempo para traduzir, teria traduzido todos os nomes, até mesmo o do Harry Potter (este seria impossível por questões de marketing mundial). Não somente para aproximá-los do universo do leitor brasileiro, na época com nove anos, mas também porque eles são extremamente significativos para a história - são uma história dentro da história. Hermione é uma personagem mitológica da Odisséia, filha de Menelau e Helena, que acaba se casando com Orestes. Que desfecho aguardará Hermione na saga de Harry Potter? Dumbledore, que junta dois nomes em inglês arcaico, significa besouro de ouro, Voldemort, vôo da morte. Grindylow é um ser malfazejo das águas que em algum momento entendi ser chinês, mas que acabei sem encontrar equivalente e assim ficou, porque uma vez escrito, não pode ser trocado. A autora os escolheu pela sonoridade e pela extravagância, aliás, ela coleciona esse tipo de nomes. Procurei reproduzir isso para a criança brasileira; eu teria traduzido TODOS os nomes porque acho que assim ela receberia das minhas mãos uma obra mais rica de significados.
Você tem medo de ficar conhecida apenas como "tradutora de um livro só"?
Lia Wyler: Ontem fui a tradutora de Fogueira das vaidades, hoje sou a tradutora do Harry Potter. Eu não diria bem medo, mas um certo constrangimento com a notoriedade. Sou tradutora, alguém que exerce sua profissão entre quatro paredes, não sou uma pop star. Custei a me acostumar, me assustei ao ver minha vida e minha foto expostas na Internet, mas percebo que, para algumas pessoas, por exemplo, para os estudantes de tradução que freqüentam as cinqüenta faculdades de tradução no Brasil eu não sou uma criação da mídia, sou a prova viva de que é possível ser tradutora profissional e eles brincam dizendo que quando crescerem querem ser Lia Wyler. Uma professora me pede ajuda para convencer os alunos de sua escola, no interior de São Paulo, que Monteiro Lobato tem charme e que a literatura juvenil que lêem hoje nasceu no Sítio do Picapau Amarelo. Virei cacife para as crianças que me conhecem e que se declaram mais por dentro do que os coleguinhas que não tiveram esse "privilégio". A filha de um amigo tradutor, que sabe muitíssimo bem o que é ser tradutor, perguntou ao pai se não daria para eu ir adiantando o quinto livro em português, com a prática de Rowling e de Harry Potter que eu já tinha adquirido. Algumas crianças discutem comigo a trama do Harry Potter, me perguntam por que traduzi assim ou assado, as conversas com elas são para mim extremamente prazerosas e enriquecedoras, como pessoa e como tradutora.
Você tem 34 anos de experiência no campo da tradução e está prestes a lançar um livro sobre seu ofício. Seria possível nos adiantar algo a respeito?
Lia Wyler: É mais um livro sobre o tradutor brasileiro do que um livro sobre o processo de tradução. Intitula-se Línguas, poetas e bacharéis, e reconstitui a história da tradução no Brasil desde o "Achamento" até o final da década de 1970. A divisão corresponde aos diferentes tipos de tradutores existentes no decorrer de nossa história, durante períodos desiguais, pois só os "línguas" prevaleceram bem uns 300 anos. Falo do multilingüismo que imperou nos primeiros tempos e deixou sua marca na facilidade com que entendemos os gringos falando e aprendemos a nos virar em suas línguas. Da escolha de uma língua nacional em 1823 e do que foi a tradução escrita quando o Brasil finalmente começou a montar o seu parque gráfico em 1930 - até então as traduções eram importadas de Portugal, França e Inglaterra. O meu objetivo foi homenagear as pessoas que têm se empenhado, ontem e hoje na intermediação de diferentes culturas e a nossa, para que nós brasileiros possamos ter acesso à informação e literatura de todas as partes do mundo.
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